18º Festival de Inverno de Paranapiacaba foi um sucesso trazendo música, arte e cultura mais uma vez.

O final de semana do Festival de Inverno em Paranapiacaba, foi um pouco fora do comum, com a temperatura alta e a ausência da famosa neblina que cobre a cidade histórica, não diminuindo sua beleza e encanto. Distrito de Santo André, foi fundada em 1862 como pólo ferroviário e para os funcionários residirem que trabalhavam no controle operacional da companhia inglesa de trens São Paulo Railway, a origem do seu nome vem do termo Tupi, significando “lugar de onde se vê o mar”.

Completando sua maioridade, o evento oferece diversas atrações culturais para todos os gostos, a vida se mistura entre o moderno oferecido pelas estruturas dos palcos, os famosos foodtrucks com o requinte da arquitetura do século XIX, as comidas caseiras confeccionadas pelos moradores, a natureza e o ar puro espalhado por todos os cantos, sendo essa mistura que traz a particularidade do evento.

A vila oferece muitas trilhas que dão acesso para alguns parques importantes como o Parque Natural Municipal Nascentes de Paranapiacaba (PNMNP) e o Parque Estadual da Serra do Mar. O evento possui contrastes interessantes como a tradicional Casa do Pão de Mel, comandada pela moradora Vera Lúcia, que está desde do início do evento e a “Casa Azul do Mirante”, que foi aberto esse ano, com uma identidade fluida idealizada pelo casal Henrique e Rubens, a casa de chá não possui um compromisso de estar sempre aberta, mas oferece um ótimo momento tranquilo onde as pessoas podem entrar contar suas histórias e admirar a decoração impecável.

Outros lugares que os visitantes não podem deixar de ir, são: a Igreja de Paranapiacaba, Museu Castelo, Antigo Mercado, Clube da União Lyra Serrano dentre outros lugares importantes. Conhecer o “Pau da Missa” e sua história curiosa que era um antigo eucalipto africano que por sua boa localização usavam para avisar sobre as missas que ocorram, pois, ficava entre a parte alta e a parte baixa da cidade, hoje infelizmente essa árvore foi cortado, sobrando somente seu tronco com risco de causar algum acidente.

O Cambuci é uma fruta nativa da Mata Atlântica é extremamente famosa na região, seu sabor é ácido igual limão, chegou a estar em perigo de extinção por ter uma madeira de boa qualidade para fazer utensílios e com o desmatamento desregrado causado pelo crescimento urbano. Na vila essa fruta é bastante utilizada na culinária e na produção de bebidas sendo elas, sorvetes, mouses, geleias, bolos, sucos e a confecção de bebidas alcoólicas como a famosa pinga de Cambuci e licores.

Tudo que envolve o evento é muito grande e organizado, com o passar dos anos isso continua crescendo, um dos aspectos que chama a atenção é o quanto facilitaria se não houvessem desativado os trens que chegavam até a cidade, dificultando tanto a locomoção dos moradores quanto dos visitantes. Para quem não sabe até um pouco antes de setembro de 2011 os trens metropolitanos iam direto para cidade, partindo da estação da Luz, hoje existe o expresso turístico que parte da mesma estação, porém, é por agendamento e com a compra de um “ticket” não tão acessível. A outra opção é chegar de ônibus, partindo próximo da estação de trem de Rio Grande da Serra, que tornou a viagem muito mais longa, cansativa e com um custo maior.

O festival de inverno tornou-se um passeio cultural e turístico principalmente para aqueles que estão no seu dia a dia rodeados de carros, poluição, prédios e a famosa correria entre trabalho/casa. É um evento cultural, culinário, artístico, histórico e com o destaque maior pela natureza que rodeia a cidade e deve ser preservada, respeitada e cuidada. São todas essas características que só Paranapiacaba possui, que a torna tão grande e especial, valendo a pena conhecer e sempre que possível visitar essa cidade.